Editoria: Atualidade

29 10 2009
A INDESTRUTÍVEL sacola plástica

 ‘Devemos preservar os recursos naturais e o planeta em que vivemos para as futuras gerações.’ Se você é uma pessoa antenada, já deve ter ouvido essa frase por aí, mas, talvez, ainda não tenha dado conta de que pode, sim, ajudar a salvar o mundo (mesmo sem ser um  ecologista inveterado). Como? Com pequenos gestos, mas, fundamentalmente, bem informado e bem-intencionado. Que tal, ao fazer compras (seja no supermercado, na farmácia, na padaria ou qualquer outro tipo de comércio), optar por substituir as tradicionais sacolas plásticas pelas de pano ou por caixas de papelão na hora de embalar o que levará para casa?

A causa é para lá de justa. Afinal, embora pareçam inofensivas, as sacolas plásticas representam 10% do lixo descartado em rios e lagos no Brasil, e, por ano, chegam à marca de 210 milhões de toneladas despejadas nos corpos hídricos em todo o país. Isso acarreta uma série de problemas ambientais, como a poluição de rios e lagoas, além do entupimento de bueiros nas ruas, o que resulta em freqüentes enchentes. Em tempo: cada sacolinha leva, em média, de 100 a 200 anos para se decompor.

Prova de que os sacos plásticos – embora práticos – são verdadeiros vilões ao entrar em contato com o meio ambiente é que uma nova lei, que visa diminuir o seu  consumo, e, conseqüentemente, a poluição por eles causada, estava sendo encaminhada à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) até o fechamento desta edição do JE. Se aprovada, alei exigirá que os supermercados troquem um quilo de alimento a cada 50 sacos plásticos apresentados pelo consumidor, além de terem de promover campanhas de conscientização a respeito do não uso de sacolas plásticas. O prazo para que as empresas se adaptem à nova lei deverá variar de seis meses a um ano, e, a partir de fevereiro de 2008, será obrigatória a introdução de placas informativas sobre a responsabilidade do plástico na poluição do meio ambiente em todos os caixas de supermercados e nas sacolas plásticas a serem distribuídas.

Crédito: Divulgação

O secretário Carlos Minc prega melhoria na qualidade de vida

Embora tenha sido recentemente proposta (e vetada) no estado de São Paulo, a lei não corre o risco de ser anulada quando estiver em discussão no Rio de Janeiro. É o que garante o secretário de meio ambiente do estado, Carlos Minc, autor do projeto de lei. Ele calcula que circulem no comércio carioca cerca de 1bilhão de sacos plásticos por ano, além de 900 milhões de garrafas pet.

– Podem ocorrer mudanças, sejam acréscimos ou supressões na proposta de lei. Essas emendas devem obedecer à lógica do aprimoramento da proposta. A substituição das sacolas plásticas gera melhoria da qualidade de vida da sociedade e maior proteção dos recursos naturais do planeta – afirma.

Em um ano, serão multados os supermercados que não cumprirem a Lei 3.369/00 (relacionada ao material plástico). A norma obriga os empresários a recolherem 25% do material que produzem para fins de reutilização e reciclagem, além de divulgarem mensagens educativas de preservação. Jorge de Souza, um dos diretores da Federação das Cooperativas de Catadores (Febracom), acredita que pode haver valorização do preço dos sacos, assim como houve com as pet, aumentando a procura do material pelos catadores.

– Com a possível lei, teremos a valorização do material da pet, agora vindo para o saco plástico, a concentração dele será menor e o preço um pouco mais alto – analisa Jorge.

No Rio de Janeiro, o gasto feito com limpeza e dragagem realizadas pela Fundação Superintendência Estadual de Rio se Lagoas (Serla) fica em tomo dos R$15 milhões por ano. Carlos Minc acredita que é preciso gerar maior consciência na população sobre a redução da degradação e poluição do meio ambiente. O uso do material biodegradável auxilia na chamada de atenção para o assunto, além de favorecer a manutenção dos aterros sanitários, dos sistemas de escoamento de águas pluviais e esgotamento sanitário da cidade.

– A neutralização do descarte indiscriminado do plástico na natureza contribui para que a administração desses resíduos seja mais eficaz – diz.

Crédito: Lula Aparicio

Retrato do descaso com a preservação da natureza, o acúmulo de lixo e sacos plásticos é cada vez maior nas grandes cidades (1) ...

Mudança de hábito

A sacola de pano no estilo em que se usava no tempo da vovó foi a solução encontrada pela pedagoga Renata Moraes para diminuir o consumo de sacolas plásticas no seu dia-a-dia. Além da bolsa, Renata tem um carrinho de compras fechado e um engradado, no qual carrega as compras. Renata admite que as pessoas estranham quando ela não aceita a sacola plástica ao comprar algo.

– As pessoas tomam a minha recusa quase como ofensa. Algumas até insistem, mas nos locais que eu freqüento há mais tempo elas já se acostumaram – revela Renata, que começou a evitar o uso das sacolas plásticas há seis anos.

Renata alerta que o formato da bolsa deve ser especial para carregar muito peso sem machucar.

– Não pode ser qualquer bolsa. Eu já havia visto em algumas lojas do Rio, mas nenhuma delas era boa. A bolsa não pode machucar o ombro, por isso encomendei a minha – diz.

Renata elogia a criação da lei que obriga os supermercados a trocar 50 sacolas por um quilo de alimento. Mas diz que só isso não basta.

– A preocupação ambiental não está só nas sacolas. O sistema de coleta não é bom. Não adianta eu separar o lixo reciclável se o lixeiro mistura tudo, no caminhão após recolher. O governo joga a responsabilidade para o consumidor, o poder público tem que ser mais responsável – frisa.

Manguezais, as maiores vítimas

Produzidos através da resina sintética originada do petróleo, os sacos plásticos levam, em média, de 100 a 200 anos para se decompor. O biólogo Mário Moscatelli, que trabalha na região do aterro de Gramacho, acompanha de perto a destruição que os sacos plásticos representam para os manguezais da região e lamenta o uso indiscriminado desse tipo de material.

– O saco plástico é um dos protagonistas da poluição, em virtude de seu uso generalizado por todas as classes sociais. Nosso consumo é genocida e suicida. Acredito que o ser humano só vai tomar jeito de fato quando as coisas fugirem do controle – observa.

Para Moscatelli, a preservação da natureza precisa ser encarada como uma questão de cultura da população. Ele critica o fato de que a maior parte dessa população ainda não esteja habituada a discutir temas ambientais.

– O problema envolve aspectos de natureza cultural e educacional, que levam tempo para serem alterados. Por isso, sou realista e acho que apenas seremos de fato conscientes de nossos discursos ambientalmente corretos quando o planeta dentro de seus mecanismos de homeostase der um basta por tanto desperdício – avalia.

Ecobarreiras e reciclagem

Crédito: Lula Aparicio

... Para evitar isso, Jonas (2) trabalha em uma das cooperativas de catadores de material reciclável, onde Jorge (3) é um dos diretores. Renata mostra o carrinho (4), a bolsa e o engradado (5) que utiliza para substituir as sacolas plásticas após as compras

Jorge de Souza, um dos diretores da Federação das Cooperativas de Catadores (Febracom), trabalha com outros cooperativados no recolhimento de lixo da ecobarreira instalada no Rio Meriti, em Duque de Caxias. O projeto das ecobarreiras, desenvolvido pela Serla, já possui cinco pontos na cidade.

As ecobarreiras formam uma barreira flutuante que impede a passagem do lixo pelos rios e o material recolhido pelas cooperativas é destinado à reciclagem. Junto a outros materiais, o recolhimento do saco plástico gera renda para famílias como a de Jonas de Oliveira. Aos 31anos e, com dois enteados para criar, ele viu no trabalho de reciclagem da cooperativa uma alternativa melhor de vida.

– Eu recolhia material sozinho nas ruas. Era um dinheiro incerto, a falta de emprego faz com que muita gente recolha material nas ruas, a concorrência é grande. Agora, na cooperativa, eu já tenho uma certeza do ganho e – diz o cooperado, que ainda ajudo a natureza aumentou a sua renda em R$300.

NA EUROPA

A Irlanda do Norte foi o primeiro país da Europa a cobrar pelo uso das sacolas, em 2002. O resultado desta iniciativa foi a arrecadação de cerca de 23 milhões de euros para serem investidos em projetos ambientais e uma redução no consumo de 90%. Na Alemanha, a taxa também já é comum e os supermercados vendem e/ou distribuem sacolas permanentes de algodão. Em Londres, o uso das sacolas de pano no lugar das de plástico já virou moda.

 ¤ Esta matéria foi publicada no Jornal da Estácio em outubro de 2007. Texto de Fernanda Mourão.




Editoria: Estácio em foco

28 10 2009
Bonecos alegram os campi

Seja com a máquina digital ou com a câmera do celular, eles não escapam dos flashes dos curiosos. As estátuas espalhadas pelos diversos campi da Estácio fazem o maior sucesso entre calouros e vestibulandos durante todo o curso. Quem chega ao campus Tom Jobim pode encontrar sete estátuas espalhadas pela universidade. Alguns alunos mais distraídos conseguem até mesmo parar para conversar ou mesmo pedir informações para alguns deles. A estudante Rafaela Marins conheceu uma dessas pessoas.

– Minha amiga chegou a ficar brava porque o segurança da entrada não queria lhe dar uma informação. Só depois de tocá-lo ela percebeu a gafe – diverte-se a aluna, que já tirou fotos com duas das estátuas: o burro e a boneca.

Crédito: Arquivo pessoal

Luana (E), Flávia e Bárbara se divertem ao lado da estátua do segurança no campus Tom Jobim

Fã das estátuas, a aluna Luana Xavier tem o book completo. Atualmente com uma foto da estátua do segurança em seu álbum no site de relacionamento Orkut, a aluna acha a idéia diferente.

– Eu adoro. Eles são como uma marca do campus. Tirei fotos com todos e agora vou fazer uma montagem para colocar no meu Orkut.

O sucesso é tanto que a aluna Bárbara Leal pretende levar a boneca gordinha, que fica no segundo andar do campus, para a festa de formatura.

– Ela é muito simpática! E faz parte da nossa história, acompanha tudo desde o início. O pessoal desabafa, conversa, abraça, põe o cigarro na boca. Um dia um aluno conseguiu – não sei como – por a coitada no elevador e ela ficou lá subindo e descendo um tempão. Acho que ela é querida por todos os alunos. Levá-la para a formatura seria uma boa homenagem – garante a aluna.

Os bonecos, presentes também nos campi Barra World, Presidente Vargas, Vargem Pequena, Akxe e Arcos da Lapa, realmente fazem a alegria dos alunos. Todo esse amor também pode ser percebido quando as estátuas são levadas para restauração. No campus Terra Encantada, os estudantes fizeram até cartazes de procura-se para a estátua da boneca do orelhão na entrada do campus.

A coordenadora de arte da Estácio, Solange Oliveira, explica que os bonecos precisam de reparos constantes.

– Os alunos adoram as estátuas e esse amor é tanto que algumas vezes eles acabam exagerando nas brincadeiras, danificando-as. Mas a boneca do Terra Encantada já está de volta – garante a diretora.

¤ Esta matéria foi publicada no Jornal da Estácio em julho de 2007. Texto de Fernanda Mourão.




Editoria: Mercado de Trabalho

27 10 2009
DEDICAÇÃO facilita a busca pelo sucesso profissional

Com o mercado cada vez mais exigente, ter apenas curso de graduação pode não ser o suficiente na busca de um bom emprego. Independentemente do segmento desejado, aprofundar e especificar os conhecimentos aprendidos na graduação, além de fundamental, pode ser o diferencial de um bom currículo. O número de alunos inscritos em cursos de pós-graduação cresceu cerca de 10% ao ano no período de 1995 a 2006. Para o curso de mestrado, em 2005, foram 38.807 alunos inscritos. Já em doutorado, 9.723. Tais dados, integram a pesquisa realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e mostram a crescente preocupação dos estudantes com a carreira profissional.

Crédito: Rúbia Ribeiro

Para Gilberto, todo aluno deveria passar por um curso de especialização antes do mestrado. Já Rosangela diz que formação específica enriquece o currículo

Para a coordenadora do curso de pós na área de saúde da Estácio, Rosangela Boigues, a capacitação dos alunos é um ponto extra que se ganha em processos de seleção.

– Os cursos de graduação estão cada vez mais acessíveis. Hoje, é pré-requisito ter pós. Em concursos públicos, por exemplo, existe a prova de títulos. Ter um título conta pontos e, quanto mais, melhor. O salário é diferenciado- explica Rosangela.——-

Ter conhecimento acadêmico da área é um ponto importante, garante o coordenador da área tecnológica da Estácio, Gilberto Lucas.

– Não é obrigatório o aluno passar por um curso de especialização para alcançar o mestrado, mas é interessante. Na especialização há um equilíbrio entre o lado acadêmico e mercadológico – explica.

Foi essa ampliação do olhar acadêmico que a jornalista Mariana Dantas, 25 anos, encontrou na pós-graduação. Formada em 2003 e trabalhando na área de cultura, Mariana resolveu fazer uma especialização para melhorar o currículo. Com conclusão da especialização em jornalismo cultural, feita na Uerj, prevista para o meio deste ano, a jovem já planeja ingressarem um novo curso, de História do Brasil.

– O curso de pós é muito importante para mim, pois engloba questões mais profundas do que na graduação. Muita coisa eu não conhecia. E o curso também ajuda a criar um bom nível de crítica, me sinto mais preparada com a pós – garante a aluna.

No entanto, o fato de ter uma pós-graduação nem sempre é garantia de emprego. Segundo a gerente de educação coorporativa da Xerox do Brasil, Rosane Galvão, ter pós é um bom adicional, mas, se o aluno não souber pôr em prática todo o conteúdo aprendido, o curso pode não valer o investimento.

– O ideal não é ter duas ou três MBAs, mas saber aplicar todo o conteúdo aprendido. O aluno deve conseguir fazer um elo de ligação entre o conteúdo estudado e os casos da empresa. Só assim ele consegue ser um profissional de sucesso. Já tivemos profissionais com mais de uma pós que tinham rendimento abaixo dos que não fizeram pós.

A definição dos cursos de lato sensu e stricto sensu podem embaralhar a cabeça de qualquer um. Entenda cada no site www.jornaldaestacio.com.br.

Saiba Mais:

CAPES

A Coordenação de Aperfeiçoamento dePessoal de Nível Superior (Capes) possui programa de bolsas para cursos de pós graduação no segmento stricto  sensu. São oferecidas oportunidades dentro e fora do país. No site da fundação (www.capes.gov.br) ainda é possível encontrar quais cursos da categoria são recomenda dos pelo MEC.

BOLSA

Sob coordenação da Fundação Carlos Chagas são oferecidas bolsas dé mestrado e doutorado a candidatos negros e indígenas nascidos nas regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste ou ainda provenientes de famílias que tiveram poucas oportunidades econômicas e educacionais. São oferecidas 40 bolsas de mestrado (por até 24 meses) e de doutorado (por até 36 meses) para cursos no Brasil e no exterior. As inscrições vão até 21 de maio. Mais informações no site www.programabolsa.org.br

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Tese – Trabalho com conteúdo inédito feito pelo aluno.

Dissertação– Aprofundamento de um trabalho já começado.

¤ Esta matéria foi publicada no Jornal da Estácio em abril de 2007. Texto de Fernanda Mourão.




Editoria: Saúde

22 10 2009
OS RISCOS da busca por um corpo perfeito

Símbolo de beleza e elegância na mitologia grega e fenícia, Adônis era considerado o homem perfeito, e, graças aos seus atributos físicos, tomou-se figura mitológica na antiguidade clássica. Sinônimo de virilidade, sua fama perdura até hoje. Prova disso são os jovens que o cultuam e não medem esforços para ter um corpo musculoso. Alguns deles, porém, exageram na dose e tomam-se vítimas da vigorexia, também conhecida como síndrome de Adônis. São pessoas que,por mais que se exercitem, nunca estão satisfeitas com o corpo que têm e se consideram fracas.

Rogério esforça-se na academia: três horas diárias de musculação e recusa de ofertas de emprego para não atrapalhar sua rotina

Rogério esforça-se na academia: três horas diárias de musculação e recusa de ofertas de emprego para não atrapalhar sua rotina

Os sintomas da doença, muitas vezes, sequer são notados, mas o uso excessivo de vitaminas e suplementos alimentares, bem como a implementação de dietas radicais e a obsessão por exercícios físicos são alguns deles. Em tempo: muitos vigoréxicos não admitem o fato de estarem doentes. Quando isso acontece, o tratamento ideal, segundo a psicoterapeuta Vilma Regato, está nas psicoterapias, com possibilidade de uso de medicação para os casos mais graves.

– Às vezes o paciente não se convence que está doente. Os vigoréxicos podem desenvolver problemas hepáticos, insônia, irritabilidade, cansaço, depressão e, se fizerem uso de anabolizantes, perda da libido sexual e câncer de próstata, entre outros problemas – enumera.

Vilma explica que o exagerado padrão de beleza vigente na sociedade e oculto ao corpo contribuem para o desenvolvimento da vigorexia. Até mesmo as mulheres, segundo Vilma, podem desenvolver a doença.

– Mas a proporção é infinitamente menor em relação aos homens, devido à nossa cultura, que rejeita mulheres fortes e masculinizadas – frisa.

Rogério Ferreira, 26 anos, 1,80 metro e 90 quilos, só pensa em malhar. Mas não está satisfeito com o resultado de tanto esforço nas três horas diárias que passa na academia.

– Vejo meu corpo como o de quem começou a malhar há pouco tempo. Se fico um dia sem me exercitar, penso que enfraqueci. Acho que estou doente, mas ainda não me dei conta disso – admite o jovem, que rejeitou ofertas de emprego para não deixar de se dedicar à rotina de exercícios.

– Não ia dar tempo de trabalhar e malhar- explica Rogério, que deixou de sair à noite e jogar futebol para não atrapalhar a rotina de exercícios. Ele admite que chegou a tomar “veneno” (gíria para anabolizante) na busca por um corpo”bombado”.

– Fui parar no hospital com pressão alta e dores musculares – revela Rogério, acrescentando que,desde então,não ingeriu mais anabolizantes.

 Adônis

O COMEÇO

A vigorexia ou síndrome de Adônis (foto) foi pesquisada pela primeira vez em 1990, pelo psiquiatra Harrison Pope, da Universidade de Harvard. Pope descobriu que pessoas (principalmente homens) que fazem musculação diariamente, de modo excessivo, buscam um padrão estético inatingível. Isso os motiva, às vezes, ao uso de anabolizantes e ao consumo exagerado de proteínas para o aumento de massa muscular. Isso ocorre porque os mesmos têm percepção da imagem corporal distorcida, achando-se sempre mais magros ou mais fracos do que são.  

 

Quando o esforço é o começo do fim

A profissional de Educação Física e apresentadora de TV Solange Frazão foi uma das pioneiras a defender a saúde no mundo da malhação. A atividade física, segundo Solange, tem o objetivo de melhorar a qualidade devida, prevenir doenças e, principalmente, proporcionar mais saúde a cada dia. Para Solange,o limite entre o esforço para ter um

Solange critica a prática, sem limites, de exercícios físicos

Solange critica a prática, sem limites, de exercícios físicos

 corpo em forma e a compulsão pelo exercício estão bem próximos.

– Esses limites são bem paralelos. O limite de cada um é o começo para o fim da saúde – ensina.

A apresentadora defende que um corpo com saúde não precisa de artifícios, nem exageros para ser bonito. Cada pessoa tem um biótipo diferente e o equilíbrio nos exercícios torna-se vital. A falta de informação e de um bom acompanhamento podem prejudicar ainda mais o praticante de atividades físicas.

– Ficar muito forte achar que é bonito ou praticar atividades acima do limite de resistência provoca a falta de saúde e muitas vezes até a obsessão- comenta.

Segundo Solange, as mulheres também têm exagerado na busca por um corpo perfeito.

– importante ter equilíbrio e sabedoria. Devemos buscar mais qualidade em nossas vidas, mas fazê-lo de forma leve para sermos felizes.

OPOSTOS

A antropóloga Mirian Goldenberg cita o sociólogo francês Pierre Bourdieu para explicar a cultura que se formou em torno dos corpos masculinos e femininos. Bourdieu afirmou que os homens tendem a se mostrar insatisfeitos com as partes do corpo que consideram “pequenas demais”, enquanto as mulheres dirigem suas críticas às regiões do corpo que lhe parecem” grandes demais”.

         ‘Chego a passar mal de fome’

Portador de deficiência física (paralisia na parte inferior da perna direita), Júlio de Oliveira é o atual campeão nacional de fisiculturismo, categoria especial. Ele não acredita que todos os atletas da modalidade possuam a síndrome de Adônis, mas admite que,em época de competição,fica bem mais rigoroso consigo mesmo.

– Intensifico os exercícios e sigo uma dieta especial. Três dias antes da prova deixo de comer sal e praticamente não bebo água. Chego a passar mal de fome, tenho cãibras e até desmaio. Fico com fixação pelo meu corpo, toda hora me olho no espelho – diz o atleta, acrescentando que o esforço é recompensado durante o tempo de exibição (um minuto e meio) que tem para se apresentar nos campeonatos de fisiculturismo.

Já para o hexacampeão mundial da categoria leve, José Carlos dos Santos, a dedicação ao esporte é importante, mas a saúde deve ser prioridade durante a preparação. Ele treina todos os dias, pela manhã, à tarde e à noite, além de se submeter a uma dieta para ganho muscular. José defende a busca por um corpo saudável.

– O fisiculturista busca o sucesso profissional. O corpo do atleta não é padrão de beleza, é um instrumento de trabalho que nós tentamos usar da melhor forma possível. Leia o resto deste artigo »





Editoria: Comportamento

21 10 2009
Símbolo do jorvem nerdNERDS quebram __ barreiras e mostram suas (novas) caras

 Se você ainda não os conhece, provavelmente irá cruzar com um deles ao longo de sua vida. Os personagens em questão atendem pela alcunha de nerds, cuja associação mais comum é com afigura de jovens que usam óculos, têm muitas espinhas no rosto, são tímidos, calados, aficionados de informática, filmes de ficção científica (Guerra nas estrelas e Senhor dos anéis são os preferidos) e abrem mão da diversão para se dedicar, quase exclusivamente, aos estudos, à profissão. Apesar da imagem preconceituosa que carregam, eles mostram que, no mundo globalizado de hoje, há lugar para todos e a discriminação faz parte do passado. As características dos integrantes dessa tribo, inclusive, têm mudado de uns tempos para cá. É cada vez mais comum encontrar pessoas que -“com muito orgulho, sim senhor” – se autodenominam nerds.

É o caso dos amigos Alexandre Ottoni e Deive Pazos, que criaram o blog Jovem nerd (www.jovemnerd.ig.com.br) para compartilhar um monte de “besteiras” e “nerdices”, como os dois definem, encontradas na internet. Durante as eleições presidenciais de 2002, eles fizeram sucesso com as montagens bem-humoradas dos personagens do filme Guerra nas estrelas como candidatos ao cargo de presidente da República. O site, que começou com 120 acessos, hoje recebe mais de 400 mil visitantes por mês. Alexandre, editor do blog, fala sobre essa mudança de comportamento.

Crédito: Divulgação

Deive e Alexandre criaram um blog especializado na cultura nerd

-O nerd, hoje, não está mais ligado apenas ao estudo, aos CDFs. Ser nerd é ter aquela atração pelo mundo imaginativo. Seja na ficção científica ou na fantasia, ele incorpora essas alegorias em sua vida, adapta os signos expressos em livros, no cinema ou nos quadrinhos em seu dia-a-dia – avalia Ottoni.

E através de encontros sociais e esportivos que os nerds assumem seus gostos, seus hábitos, fortalecem seus hobbies e compartilham experiências. A JediCon, por exemplo, é um evento que reúne, anualmente, sócios (quase todos nerds assumidos) do conselho Jedi dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O fã-clube do filme Guerra nas estrelas reuniu, em outubro de 2006, no Rio de Janeiro, 500 aficionados – o maior público presente em um encontro foi de 1.100 pessoas, em 2005.

Outra atividade que agrada aos nerds são os campeonatos de jogos de cards (cartas), seja o mundialmente famoso RPG ou suas variações. A livraria HQ, em Ipanema, é especializada na venda de revistas em quadrinhos, cards games e outros artigos que costumam atrair os nerds de plantão. Há, também, a realização de campeonatos entre os freqüentadores.

 AGRADÁVEL ROTINA

Apesar da imagem pejorativa que carregam, os nerds mantêm uma agradável rotina: estudar muito. Kellem Corrêa Santos, 19 anos, é aluna do Instituto Militar de Engenharia (IME) e diz que sempre gostou dos estudos, o que aumentou sua “fama”.

Kellem, hoje no IME, pôde escolher onde estudar

Kellem, hoje no IME, pôde escolher onde estudar

-Eu me considero um pouco nerd, mas me divirto – explica Kellem, aprovada, em primeiro lugar, não só no IME,mas na Academia da Força Aérea Brasileira(AFA), Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Escola de  Especialistas da Aeronáutica (EEAR) e Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM). Foi aprovada, também, na UFF, UFRJ e Uerj, mas sem a primeira colocação. A dedicação aos estudos lhe rendeu, também, uma medalha na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e participação na lnternational Mathematics Competition (IMC), em 2005, na Bulgária. Agora, ela dá aulas e faz mestrado no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (lmpa). Mas, durante essas férias…

-Vou sair à noite e pular o carnaval na Bahia.

 ABAIXO A PADRONIZAÇÃO

Superdotados, caxias, CDFs… São vários os adjetivos dados aos nerds. Mas, segundo Ana Maria Feijoo, diretora do Instituto de Psicologia Fenomenológico Existencial do Rio de Janeiro (Ifen), é errado se associar pessoas inteligentes, apenas, aos nerds.

– Falar das causas acerca de um modo de ser implica em desconsiderar a liberdade e a motivação humana como fonte e origem de suas decisões. Denominar uma forma de ser é categorizar o homem dentro de referenciais padronizados- afirma.

Adriano Rutka, 17 anos, é um dos nerds que dá de ombros quando o rotulam por ser inteligente. Sua preocupação é com o futuro profissional. Aluno mais jovem (16 anos) a receber o certificado internacional Linux Professional Institute (certificação do programa de computador Linux, um software de programação livre), muito bem-visto pelas empresas,ele pretende investir o seu conhecimento no Direito.

-As leis na internet são vagas e muitos crimes acontecem no mundo virtual sem punição adequada. Quero criar leis mais severas- planeja Adriano, que, apesar da dedicação aos estudos, não deixa de sair com os amigos, com a namorada e curtir a vida de adolescente.

SAIBA MAIS

Ninguém sabe ao certo de onde vem a expressão nerd, mas duas versões se destacam. A primeira aparição do termo teria acontecido em 1950 no livro de Dr. Seuss, Se eu fosse ao zoológico. Nele o autor descreve o nerd como um humanóide alto, magro e vesgo. Outra teoria surgiu supostamente da imagem dos empregados da fábrica Northern Electric Research and Development, que usavam a abreviação N.E.R.D. impressa nos seus coletes. Com o tempo, a palavra passou a ter outras variações, como CDF e superdotado.

¤ Esta matéria foi publicada no Jornal da Estácio em janeiro de 2007. Texto de Fernanda Mourão.




Editoria: Cidade

15 10 2009
Lei que proíbe MARQUISES causa discussão  —————————————————————-                                                                                               

Os desabamentos de marquises em Vila Isabel, ano passado, e em Copacabana, em fevereiro, deixaram os cariocas alertas quanto ao perigo que tais construções representam e o quanto de insegurança existe para quem circula pelas calçadas do Rio de Janeiro. Para evitar novos incidentes, a prefeitura baixou, em 9 de março deste ano -12 dias após o desabamento da marquise do Hotel Canadá, em Copacabana, que matou duas pessoas e feriu nove -, o decreto n˚27.663 (regulamenta a Lei n˚3.032, de 7 de junho de 2000). Ele proíbe a construção e reforma de marquises metálicas ou de concreto armado, e, ao que parece, virou motivo de polêmica entre arquitetos e autoridades responsáveis pela fiscaIização (Defesa Civil e prefeitura) das marquises.

Crédito: Lula Aparicio

Marco Leão considera um absurdo a lei que determina a demolição das marquises em má conservação na cidade. (...)

Um dos motivos da celeuma é o fato de a lei determinar que, caso a marquise esteja em má conservação, não poderá sofrer qualquer tipo de reforma ou reparação. Ou seja, o proprietário é obrigado a demolir a construção, o que, para o diretor de comissões do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Marco Leão Gelman, é um absurdo. Segundo ele, a diversidade de materiais e o avanço tecnológico na área da construção civil formam um leque de opções que, de acordo com a criatividade do arquiteto, podem levar a soluções mais baratas e seguras do que a radicalização da demolição.

– Por que ter uma lei tão restritiva? Por que não criar um programa de financiamento que ajude na restauração dessas obras, visto que a marquise tem a beleza da forma e a função da proteção? A radicalização talvez não atenda a todas as necessidades que a cidade precisa e tirar a proteção que já existe nas áreas de circulação pode causar problemas. O prefeito está criando um estilo cotó de arquitetura, reduzindo tudo e deixando a cidade mais feia – avalia.

PREFEITO IGNORA INSINUAÇÕES

Marco Leão diz, também, que as soluções para as marquises se resumem, apenas, a obras de manutenção.

– Deve haver sempre verificação e conservação, assim como se faz com todas as pontes e viadutos. Caso contrário, o prefeito, para ser coerente, deveria derrubar todos os viadutos mal conservados que existem na cidade por falta de manutenção adequada – diz.

Crédito: divulgação/COB

(...) Já o prefeito Cesar Maia diz que a medida se justifica, já que, segundo ele, em áreas periféricas do Rio não há preocupação com licenças e possibilidade de fiscalização permanente. "Decisão prudente da prefeitura em defesa da segurança das pessoas”, avalia.

O prefeito Cesar Maia limitou-se a comentar, por e-mail, os aspectos técnicos da lei e ignorou as insinuações de Marco Leão.

– Não tenho dúvida de que se o problema fosse, apenas, nos corredores de maior visibilidade, poderíamos controlá-Io. Mas o que se constrói de marquises, em áreas periféricas aos bairros, sem nenhuma preocupação de licença e sem a possibilidade de fiscalização, é o que justifica a decisão prudente da prefeitura em defesa da segurança das pessoas – frisou o prefeito.

O coordenador técnico da Defesa Civil municipal, Luís André Moreira, defende a instituição da lei da marquise. Segundo ele, os donos de propriedades particulares recebiam mais de uma notificação, mas só se manifestavam, geralmente, após a ocorrência de acidentes.

– Nós encontrávamos muita resistência por parte dos proprietários em atender e resolver problemas de marquise. Antes da lei, as atribuições do poder público eram muito limitadas. O decreto mudou tal situação – comemora Luís André.

João Batista Veronese, diretor do Departamento de Vistoria Estrutural da Secretaria de Fiscalização Urbanística da Prefeitura, concorda com Luís André Moreira. E ressalta que,após a implementação da lei, ficou mais fácil e mais rápida a finalização dos processos de vistoria.

– Estamos fazendo 50% de atendimento, antes fazíamos 15%. A população tem respondido muito bem à lei. Os processos andam mais rápidos, fazemos o cadastramento das marquises e podemos acompanhar a vida útil delas. As marquises que caíram, como a de Copacabana e Vila Isabel,foram fiscalizadas e os responsáveis tinham consciência do perigo. A imprudência foi deles – diz Veronese, acrescentando que a prefeitura só dá duas opções ao proprietário: que se mantenha a segurança ou que haja a demolição da marquise.

Marco Leão Gelman, porém, ressalta a importância da manutenção das marquises em relação à beleza do Rio de Janeiro. Para ele, a Cidade Maravilhosa é apontada ainda como um dos principais lugares do mundo em termos de arquitetura moderna.

– As marquises entram no cenário como um grande atrativo turístico na área cultural – observa.

Marco Leão credita ao governo a falta de informação e orientação da população a respeito do assunto e ressalta que tal desinformação resulta em uma situação desnecessária de pânico e medo.

– A população é mal informada sobre o assunto e a qualquer estímulo acaba por pensar no pior, tem medo das situações. Ela não está qualificada para discernir o que gera pânico e medo. A mesma origem deve ter levado à criação da lei, ou seja, falta de informação- diz.

  

Acidentes de triste memóriaNo dia 24 de março de 2006, três pessoas morreram e quatro ficaram feridas no incidente ocorrido no Bar Parada Obrigatória (foto acima), na esquina da avenida 28 de Setembro e rua Souza Franco, em Vila Isabel, que foi reformado e hoje tem um toldo de plástico (foto abaixo) no lugar da marquise. Outro caso aconteceu no Hotel Canadá, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, dia 26 de fevereiro deste ano. Duas mulheres morreram e oito pessoas ficaram feridas.                                                                              No dia 24 de março de 2006, três pessoas morreram e quatro ficaram feridas no incidente ocorrido no Bar Parada Obrigatória (foto acima), na esquina da avenida 28 de Setembro e rua Souza Franco, em Vila Isabel, que foi reformado e hoje tem um toldo de plástico (foto abaixo) no lugar da marquise. Outro caso aconteceu no Hotel Canadá, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, dia 26 de fevereiro deste ano. Duas mulheres morreram e oito pessoas ficaram feridas.marquise caida substituida por toldo
  
 Nada de maquiagem

 O Departamento de Vistoria Estrutural da Secretaria municipal de Urbanismo da prefeitura fica responsáve1 pela parte administrativa. A secretaria é responsável pela intimação do proprietário, aplicação de multas, ou seja, faz a complementação da ação realizada pela Defesa Civil com intimações e uma série de determinações administrativas processuais. Luís André Moreira frisa que o fato de haver f fiscalização no local não tira a responsabilidade civil e criminal do proprietário da marquise em caso de desabamento. Um engenheiro deve ser sempre consultado em qualquer situação que envolva marquises.

Luís André alerta que fiscalização não tira a responsabilidade civil e criminal do proprietário da marquise em caso de desabamento

Luís André alerta que fiscalização não tira a responsabilidade civil e criminal do proprietário da marquise em caso de desabamento

– Muitas vezes são chamados profissionais conhecidos como “faz tudo” para realizarem reformas. Eles acabam fazendo um trabalho errado, podendo, apenas, maquiar o problema ou aumentá-Io. Há problemas que não podem ser identificados visualmente. Tem que haver coleta da resistência do material para saber se está bom, verificar o grau de oxidação e isso só um profissional capacitado como um engenheiro é capaz de fazer – diz Luís.

O coordenador da Defesa Civil ainda alerta para o risco que os pedestres sofrem ao invadir áreas interditadas. – Muitas pessoas não respeitam os alertas, arrancam as faixas ou passam por baixo delas. Alguns criam transtornos. Por isso é importante que o proprietário do imóvel tome ciência de sua responsabilidade e providencie as obras – frisa.

Os proprietários dos imóveis com marquises ainda devem apresentar, a cada três anos, a Declaração de Segurança Estrutural de Marquise (DSEM), um documento regulamentando o perfeito estado da construção.

 

 VISTORIAS DE MARQUISES EM 2007

Ameaça de queda demarquise: 340 atendimentos

Bairro mais atendido: Copacabana, com 66 chamados

Vistoria preventiva em marquise: 590 atendimentos

Bairro mais atendido: Centro, com 86 chamados

Vistoria em marquise: 91 atendimentos

Bairro mais atendido: Centro, com 25 chamados

Quedas de marquise: 3 atendimentos

Bairros atingidos: Copacabana, com dois casos, e São Cristovão com um

Demolições de marquise: 400 ocorrências

Possíveis demolições até o final do ano: 616 marquises

FONTES: Defesa Civil e Prefeitura do Rio

‘O prédio ficou mais bonito’

Lídia Teixeira mostra um modelo do laudo de vistoria da Secretaria municipal de Urbanismo. Acima dela, o local onde existia a marquise do prédio em que Lídia é síndica

Lídia Teixeira mostra um modelo do laudo de vistoria da Secretaria municipal de Urbanismo. Acima dela, o local onde existia a marquise do prédio em que Lídia é síndica

Lídia Teixeira Rodrigues é síndica, há seis , anos, de um edifício na Tijuca. O prédio, com quase 50 anos, teve a marquise derrubada por decisão dos próprios moradores, que, com medo e influenciados pelos acidentes anteriores, optaram pela sua demolição.

– Inicialmente, a idéia não foi bem aceita pelos lojistas instalados na parte inferior do prédio, mas, ao final, eles ficaram convencidos de que seria até melhor para que os clientes pudessem ver as lojas. Eu acho que, visualmente, o prédio ficou mais bonito e seguro – avalia Lídia.

Após a reunião de condomínio, a Defesa Civil, a pedido da síndica, avaliou as condições estruturais da marquise (constatou a presença de rebocos quase caindo, além de infiltrações) e permitiu que a demolição fosse realizada. Aliás, quando são identificados problemas na marquise, a Defesa Civil precisa ser acionada. Na cidade do Rio de Janeiro, o chamado pode ser feito através do telefone 199. O coordenador técnico da Defesa Civil municipal, Luís André Moreira Alves, explica que o trabalho tem dois pontos principais, voltados para ações emergenciais e preventivas.

– Encaminhamos o boletim à prefeitura na secretaria de Urbanismo para orientar o proprietário na execução de obras. Em medidas emergenciais, pode haver interdição do local, escoramento da marquise ou a demolição -diz, lamentando que muitos pedestres desrespeitem as sinalizações de marquises interditadas.

Pedestres desrespeitam a faixa de isolamento colocada pela Defesa civil sob uma marquise

Pedestres desrespeitam a faixa de isolamento colocada pela Defesa civil sob uma marquise

 CAUSAS DE DESABAMENTO

Diversas são as causas que podem provocar o desabamento de marquises. Entre as principais estão:

  • Má conservação da obra- o mau uso e principalmente abandono em construções antigas podem ajudar num quadro de desastre.
  • Sobre carga da marquise- pesos extras não calculados na estrutura inicial, como instalação de ar-condicionado.
  • Maresia – desgasta e oxida a estrutura
  • Gás carbônico – em um processo gradativo, ajuda na degradação da marquise.

SINAIS DE MÁ CONSERVAÇÃO

  • Infiltrações
  • Reboco caindo
  • Ferragens expostas
  • Descolamentos
¤ Esta matéria foi publicada no Jornal da Estácio em outubro de 2007. Texto de Fernanda Mourão.




Editoria: Lazer

14 10 2009
SUBÚRBIO PEDE FILMES DE 

                            ARTE

Adailton, do Ponto Cine, realiza projeto que tem como objetivo levar opções de filmes de diferentes culturas ao subúrbio
Adailton, do Ponto Cine, realiza projeto que tem como objetivo levar opções de filmes de diferentes culturas ao subúrbio

 

Quando se pensa em lazer nos subúrbios do Rio, poucas opções vêm à cabeça dos moradores. Uma delas são os cinemas, muito famosos e bem integrados em alguns bairros, mas que nem sempre são encontrados em áreas mais distantes. A falta de filmes menos comerciais, os chamados filmes de arte, deixam boa parcela dessa população carente. Uma opção é assistir a filmes nas lonas culturais e salas alternativas.

Em maio de 2006, um projeto inovador teve início em Guadalupe: a primeira sala popular de cinema digital do Brasil estreou trazendo opções de filmes mais variados que os da região. Com 75 lugares, sendo dois reservados para deficientes físicos e tendo também cadeiras especiais para obesos, o Ponto Cine se destaca pela programação de filmes de diferentes culturas. O idealizador e atual diretor Adailton Medeiros diz que seu trabalho não é o cinema, e sim pessoas.

– Meu negócio é gente: Quero atrair as pessoas, atingir um público menos favorecido, fazendo uma verdadeira alfabetização do olhar – conta.

O cinema, que foi financiado pela prefeitura, procura sempre exibir filmes nacionais e internacionais, que não tenham tanta exposição na Zona Norte, como os europeus. A iniciativa organizou o projeto ‘Diálogos com o cinema para todos’, que é gratuito e se destaca por oferecer aos espectadores a oportunidade de conversar com o diretor do filme ao final da exibição. Mas os representantes das grandes redes se defendem. Segundo o consultor de programação do Grupo Estação, Alberto Shatovsky, a vontade de  instalar um complexo na Zona Norte existe.

– O grupo sempre teve interesse em ampliar seu circuito, principalmente nessa área. Temos projetos, mas ainda sem previsão – conta.

Já a assessoria da rede Severiano Ribeiro, presente em salas da Zona Norte e Baixada, disse que esse tipo de filme não faz parte do perfil da empresa.  A Rede Cinemark possui um complexo situado no bairro de Vicente de Carvalho, mas, segundo o diretor de programação Ricardo Szperling, a escolha é do distribuidor do filme.

– Normalmente os filmes de arte são lançados com poucas cópias e nas capitais maiores. A decisão sobre o tamanho do lançamento e a abrangência é do distribuidor – explica.

Em contrapartida, o programador da distribuidora Paris Filmes, Dante Zuliani, diz que a escolha da exibição dos filmes é feita pela rede de cinema.

– A colocação do filme vai de acordo como perfil do exibidor. Os filmes cult e de arte geralmente não são passados por não atraírem um público suficiente capaz de bancar os gastos que a empresa teve – explica Dante.

Para o diretor comercial da distribuidora Imagem Filmes, Laércio Bognar, esse é realmente um assunto polêmico e que o consenso entre distribuidor e exibidor é sempre algo difícil.

– Se na sala da periferia há uma disputa do espaço entre um filme tipo Pequena miss Sunshine e um de terror tipo Jogos mortais, certamente o segundo será o escolhido – explica.

SERVIÇO

Ponto Cine

Estrada do Camboatá, 2.300 – Guadalupe Preços: R$6 (inteira) e R$3 (meia-entrada) Tel.: 3106-9995.

Mais informações:

www.guadalupeshopping.com.br

¤ Esta matéria foi publicada no Jornal da Estácio em maço de 2007. Texto de Fernanda Mourão.







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