Editoria: Lazer

14 10 2009
SUBÚRBIO PEDE FILMES DE 

                            ARTE

Adailton, do Ponto Cine, realiza projeto que tem como objetivo levar opções de filmes de diferentes culturas ao subúrbio
Adailton, do Ponto Cine, realiza projeto que tem como objetivo levar opções de filmes de diferentes culturas ao subúrbio

 

Quando se pensa em lazer nos subúrbios do Rio, poucas opções vêm à cabeça dos moradores. Uma delas são os cinemas, muito famosos e bem integrados em alguns bairros, mas que nem sempre são encontrados em áreas mais distantes. A falta de filmes menos comerciais, os chamados filmes de arte, deixam boa parcela dessa população carente. Uma opção é assistir a filmes nas lonas culturais e salas alternativas.

Em maio de 2006, um projeto inovador teve início em Guadalupe: a primeira sala popular de cinema digital do Brasil estreou trazendo opções de filmes mais variados que os da região. Com 75 lugares, sendo dois reservados para deficientes físicos e tendo também cadeiras especiais para obesos, o Ponto Cine se destaca pela programação de filmes de diferentes culturas. O idealizador e atual diretor Adailton Medeiros diz que seu trabalho não é o cinema, e sim pessoas.

– Meu negócio é gente: Quero atrair as pessoas, atingir um público menos favorecido, fazendo uma verdadeira alfabetização do olhar – conta.

O cinema, que foi financiado pela prefeitura, procura sempre exibir filmes nacionais e internacionais, que não tenham tanta exposição na Zona Norte, como os europeus. A iniciativa organizou o projeto ‘Diálogos com o cinema para todos’, que é gratuito e se destaca por oferecer aos espectadores a oportunidade de conversar com o diretor do filme ao final da exibição. Mas os representantes das grandes redes se defendem. Segundo o consultor de programação do Grupo Estação, Alberto Shatovsky, a vontade de  instalar um complexo na Zona Norte existe.

– O grupo sempre teve interesse em ampliar seu circuito, principalmente nessa área. Temos projetos, mas ainda sem previsão – conta.

Já a assessoria da rede Severiano Ribeiro, presente em salas da Zona Norte e Baixada, disse que esse tipo de filme não faz parte do perfil da empresa.  A Rede Cinemark possui um complexo situado no bairro de Vicente de Carvalho, mas, segundo o diretor de programação Ricardo Szperling, a escolha é do distribuidor do filme.

– Normalmente os filmes de arte são lançados com poucas cópias e nas capitais maiores. A decisão sobre o tamanho do lançamento e a abrangência é do distribuidor – explica.

Em contrapartida, o programador da distribuidora Paris Filmes, Dante Zuliani, diz que a escolha da exibição dos filmes é feita pela rede de cinema.

– A colocação do filme vai de acordo como perfil do exibidor. Os filmes cult e de arte geralmente não são passados por não atraírem um público suficiente capaz de bancar os gastos que a empresa teve – explica Dante.

Para o diretor comercial da distribuidora Imagem Filmes, Laércio Bognar, esse é realmente um assunto polêmico e que o consenso entre distribuidor e exibidor é sempre algo difícil.

– Se na sala da periferia há uma disputa do espaço entre um filme tipo Pequena miss Sunshine e um de terror tipo Jogos mortais, certamente o segundo será o escolhido – explica.

SERVIÇO

Ponto Cine

Estrada do Camboatá, 2.300 – Guadalupe Preços: R$6 (inteira) e R$3 (meia-entrada) Tel.: 3106-9995.

Mais informações:

www.guadalupeshopping.com.br

¤ Esta matéria foi publicada no Jornal da Estácio em maço de 2007. Texto de Fernanda Mourão.
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